Voa, Voa... Foge!
Passarinho assustado: bate as asas.
Corre do ninho.
Encaminha-se para outro lado.
Sente, arrepiado, o contato do ar.
Penas flutuam,
Na congelada camada entre o corpo e o vento.
O susto o encarcera
Dentro de si
Voa solitário ao longe.
Sentir assusta, afoba, afoga.
Desaninhado procura a si
Ruma à imensidão.
Flutuar? Isolante.
Sobe, Sobe... Cai!
Engrandecido,
Na batalha dos sentimentos, perde suas forças.
Cambaleia no céu.
Sua sombra cresce na terra batida.
Aproxima-se.
E no instante da queda,
Uma pausa:
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Sobrevoa a flor,
Comunicação silenciosa, estanque.
Nova investida.
Bico nas alturas.
Arrisca um relance ao ninho.
Volta, Volta... Adiante!
Alonga suas possibilidades
No farfalhar das asas.
Rumo ao destino.
Sentido? O caminho.


